sexta-feira, novembro 13

Faça juras de amor a você!

Declare-se apaixonadamente. Ame intensamente suas virtudes. Seja paciente com seus defeitos.
Quando feliz, irradie alegria, abra os braços, dê risadas sonoras,  e, na tristeza, se cuide com carinho, cm um chocolatinho, um chá, um livro, bons amigos.

Prometa não se afastar da boa saúde,  nem se entregar a qualquer doença sem lutar. Seja um sentinela a postos em favor do seu bem estar.

Desfrute das boas companhias até não poder mais.  Delicie-se, aconchegue-se, peça colo, ofereça o seu também.

Não entregue suas fragilidades sob qualquer juramento ou promessas. Seja de confiança, confie nos seus julgamentos.  Aposte nos seus palpites, confie no seu bom senso.

Não permita que violem seu caráter nem seus critérios a não ser por sua vontade. Não se venda, não se liquide, não ponha preço, não pague qualquer preço para ser quem você não é. Ame-se de graça e com gosto!

Ignore julgamentos e críticas maliciosas. O mundo está cheio de juízes e conselheiros que não valem uma réplica. Devolva as ingratidões para o lugar de onde elas vieram, as espertezas, as vantagens aos que não vivem sem elas. Proteja-se das ilusões e principalmente dos ilusionistas.

Permita-se todos os dias um pequeno agrado. Uns minutos a mais no banho quente, uma mensagem para alguém bacana, um doce,  uma passadinha na papelaria, um cinema no meio do dia.

Trabalhe de forma que o resultado seja admirável e o descanso, proveitoso.

Se convide para passear, para rodar o mundo, ainda que seja uma volta no quarteirão. Viva por inteiro,  guarde o suficiente para realizar seus sonhos, não pague o preço do tédio nem da preguiça.

Não se afaste de si, jamais queira ser outra pessoa ou ter ao lado alguém para fazer as juras que você ainda não fez a si.  
Não dispense afetos verdadeiros, mas não dê a eles a sua responsabilidade de ser feliz com o que tem no dia de hoje.

Faça juras de amor a si e torne legítima a sua relação de amor com a vida.


A troca de alianças com o mundo lá fora será mais leve e fácil de escolher e  entender.

Ser querido não é ser útil!

Ser querido é café quente com bolo. Ser útil é pílula de suplemento.
Ser querido é dia de sol com ventinho leve. Ser útil é protetor solar e repelente.
Ser querido é abraço apertado. Ser útil é capa de chuva.
Ser querido é ser aguardado, ter a presença desejada, ser incluído nos sonhos, nos planos, na vida.
Ser útil é ser indispensável pelas qualidades e especialidades.
Ser querido é ser amado apesar dos odiosos e repugnantes defeitos, ser compreendido, reconfortado, protegido, repreendido, o que for preciso.
Ser útil é ser dispensável quando a utilidade findar…
Todo mundo é querido de alguém, todo mundo é útil para alguém, os ambos, ou nenhum. Perceber a diferença é essencial para saber que papel figuramos nas vidas que tocamos ou que nos tocam.
Para alguns, preciso ser apenas útil. E quero o pagamento e a recompensa por isso.
Para outros, quero ser querida, como os quero bem também.
O que não quero, é ser útil para me sentir querida. Não quero me tornar indispensável para ter a ilusão de que sou muito querida. Ser querido é bem diferente de ser útil.
Jamais me conformarei em ser uma panela  aderente com excelentes qualidades e diferenciais! A panela é útil!
Eu? Eu quero ser motivo de doces lembranças, afeto, saudades e grandes planos para a vida!

terça-feira, novembro 10

Desvie sempre das pessoas bélicas!

Sabe aquela pessoa que, ao invés de ser reconhecida por alguma virtude, é conhecida e temida por seu “pavio curto”?  De repente ela acha isso o máximo, se vangloria e se admira por estar sempre alerta e pronta para uma acalorada discussão. Pessoas como essa, já acordam caçando briga, não sossegam enquanto suas jugulares não saltam, nem tampouco enquanto seus hipotéticos inimigos não são vencidos. Se houver reconhecimento de razão então, é a glória!
Pessoas bélicas, que vivem montadas em seus canhões, atirando para quem ousar contrariar. Pessoas que roubam a espontaneidade alheia, que promovem o desconforto e mal estar, que brigam por razões ridículas, roubam o direito de resposta dos outros, atacam, ofendem, agridem…
Se não vamos conseguir mudar uma pessoa dessas, já que ninguém muda ninguém, muito menos um bélico,  como fazer para minimamente conviver e escapar dos tiros e estilhaços? Como reagir diante de uma criatura que vocifera ao invés de argumentar, que lança xingamentos, que gesticula de forma intimidadora, que defende suas opiniões com tirania?
Correr para as montanhas não é uma opção, então, se a gente tantas vezes precisa conviver com essas soldados da ira, meu palpite é que evitemos ser alvo fácil, como os patinhos no parque de diversão. O melhor é se mexer, não se esconder, ao contrário, aparecer, mas sem motivação alguma para uma discussão. Se você não quer briga, não haverá briga. Nada te tira do sério quando você sabe que não vale a pena sair do sério. Deixe o briguento brigar, deixe gritar, deixe que ele ouça a sua própria voz, sozinha no ambiente; Não retribua com nada, nem mesmo um sorriso. A indiferença é um escudo inabalável para casos como esse. O ser bélico quer vitórias e honras. Mas se não há com quem lutar, ele vira um personagem, uma caricatura, um show man procurando o seu público.
A vida já é por demais cheia de batalhas e dificuldades para que tenhamos tempo e disposição para ser saco de pancadas alheio. Saiamos pois, da reta e do campo de visão dos franco atiradores. Há muito mais gente no mundo com vontade de trocar gentilezas, do que começar a terceira guerra mundial. Paz!

segunda-feira, novembro 9

Você sabe quem anda ao seu lado?

Quando você esvazia a carteira, retira os acessórios, cala as frases de efeito, apaga os sorrisos diplomáticos, quem está ao seu lado? O que sobra para você? Quem afinal é você?
Isso não é uma provocação, nem sequer uma afirmação de que sem o verniz social não sobra nada. É sobre justamente o oposto. Quem somos quando não precisamos provar nada a ninguém?
Uma pergunta daquelas que só se responde a si mesmo, a mais ninguém.
Mas necessária. Vital. Precisamos saber com quem andamos fazendo tratos na vida, precisamos avaliar de quem realmente precisamos por perto, quem faz nosso coração bater mais rápido mesmo sem celebrações ou conquistas, apenas por puro afeto.
Quando retiramos a maquiagem, vemos as imperfeições que tentamos esconder, reconhecemos nosso rosto original, aceitamos que ao natural somos a pessoa que vemos no espelho e nenhuma outra mais. Assim é a nossa vida, que inúmeras vezes retira a nossa pintura, nos deixa tão descoloridos, quase nada…
E quando nossa alma está nua, quando passamos pelas mais difíceis fases da vida, quando o sol não entra na nossa janela, quem somos para nós mesmos e para quem cultivamos uma vida de relações? Quem estaria ao nosso lado, quem nos ofereceria um abraço para abrigar, o ombro para chorar, o tempo, os recursos, a alegria para dividir?
É importante fazer uma análise antes de proferir acusações e lástimas, pois, sejam quem forem os nossos afetos e as expectativas que colocamos neles, lembremos sempre que nós os escolhemos e nos ligamos a eles pelo que achamos importante no momento. E se o importante hoje não for o bastante, é porque eles não conseguem reconhecer quem somos quando não somos nada, quando estamos sem maquiagem.

Barbosa, o boêmio irresistível!

E lá estávamos nós, ouvindo uma música boa, comendo igualmente bem, tomando uma sangria duvidosa, e, só para rimar, eis que aparece Barbosa!
Barbosa chegou gingando, com sua camiseta de praia, chapeuzinho de malandro e muita cerveja na alma, pronto para causar! Minha amiga-irmã que de antipática não tem nada, já estava estampando seu melhor sorriso, embora sem noção do que a esperava. 
Barbosa se instalou ao seu lado e queria conversar, queria ficar juntinho, falar dele, do quando era apaixonado pela cidade, de como levava bem a vida, e que vida boa, segundo ele! 
Barbosa, no alto dos seus oitenta e tantos, calculo eu, era realmente assanhadinho, e mesmo depois de uns passa-fora, continuava por perto, voando como uma mosca de padaria, sempre atento, tentando fazer seu olhar cruzar com alguma canditada. Nem precisava ser uma de nós. Barbosa parecia decidido a não passar a noite sozinho. 
E nós naquela mesa, apesar de nos intitularmos mulheres independentes e tudo mais, não queríamos arredar o pé, com medo de Barbosa voltar e investir novamente com todo o seu charme e malícia. O pessoal da mesa de trás ria até não poder mais, da nossa saia justa. 
Barbosa me deu uma bronca porque eu não largava o celular. 
- Escuta aí, você vai ficar usando esse negócio o tempo todo?
- Vou sim. (seca e nada simpática, estratégia para afastar Barbosa).
Mas ele não saiu. E repetia como era apaixonado pela cidade, como gostava da noite, como era feliz, como minha amiga precisava conhecer Salvador. Barbosa é baiano, mas um dos mais rapidinhos que já ví. Foi logo listando para minha amiga a sua vida de aposentado do serviço público, e que vivia muito bem, tinha uma casa no Morro de São Paulo e por aí vai, porque vantagem, quando a gente quer, não acaba nunca. 
Por fim, Barbosa, depois de saracotear pelo salão inteiro, dançar com uma e com outra, beber mais umas tantas e sorrir até para as pilastras, não se conteve e voltou à nossa mesa. Direto e sincero, ele disparou para a minha já não tão sorridente amiga:
- Eu me apaixonei por você. Você é encantadora! 
Ela mais que depressa pediu a conta e saímos antes do show acabar. Ah, Barbosa,mas cá para nós, eu acho que ela te correspondeu, só ficou meio tímida. Aguarde, voltaremos!