quinta-feira, abril 13

O melhor momento para falar sem dizer nada

O melhor momento é qualquer um. Qualquer um em que as palavras faltem, que representem menos do que uma boa encarada, que não sejam tão expressivas quanto uma saída silenciosa.
O melhor momento é sempre aquele em que a certeza é tão avassaladora que nenhum argumento pode abalar. Falar, discutir, pontuar, tudo isso abre portas para justificativas e argumentações. Silenciar, finaliza a questão.
O melhor momento é também aquele de perplexidade, êxtase, encantamento. Aquele momento em que palavra nenhuma é capaz de descrever. Fala-se portanto, pelo silêncio.
Na vida diária, são incontáveis os momentos em que calar é mais jogo para todo mundo.
Perante uma grosseria gratuita e injustificada, diante de uma provocação, como respostas às perguntas que não querem ser respondidas… Falar sem dizer nada é mais corajoso do que se armar de palavras que ferem, magoam e, assim que ditas, chamam o arrependimento.
A comunicação dispensa palavras. O silêncio grita forte, o olhar fala com firmeza, a postura confirma o que se quer transmitir. Muitas vezes as palavras servem de enfeite, outras tantas, de barreira.
Mais importante do que ter assunto para falar, é ter consciência da hora que se deve calar. Deixar o outro pensar, raciocinar, analisar. Não se ganha nada em fazer o esforço de viver sugerindo assuntos ao outro. É como inventar um diálogo, ensinar as reações, guiar o desfecho.
Guardar para si as palavras, para que o outro tenha espaço para se manifestar.
O silêncio é amigo que mostra como andam barulhentos os pensamentos. Não se deve sair vomitando tudo a todos, da mesma forma que não se deve deixar ninguém sem respostas. A forma como se responde é proporcional ao grau de convencimento necessário.
Se você crê que tudo é conquistado com longos discursos, experimente apenas uma vez fazer o inverso. O resultado pode te deixar sem palavras!

segunda-feira, abril 10

Tem gente blefando com você? Pague para ver

Pode demorar muito tempo para se descobrir um jogador, um apostador que se diverte e lucra com a confiança alheia. Ele aposta na boa fé, na consideração que recebe, na ausência de dúvidas quanto à relação de confiança.
E blefa sem piedade, planta situações, sugere outras, vai moldando a realidade de acordo com sua vontade. Então, em dado momento acontece a desconfiança, a lógica grita e pede atenção!
-Tem gente blefando comigo. Tem gente me cozinhando em banho maria, me guiando para um lugar que não desejo ir, para uma vida que não quero ter.
O jogo não é gritante e escancarado. O jogador estuda muito antes de começar as apostas. Quem blefa o faz olhando nos olhos, assertivamente. É difícil de não acreditar. Exige o que mais tememos: O senso crítico com quem não queremos sequer contrariar. O afeto protege o apostador da desconfiança que ele merece ser submetido.
Ao se deparar com um apostador, tenha cuidado. Ele fará qualquer coisa para garantir a vitória do que quer conquistar.
Desconfia de um blefe? Pague para ver. Se decepcione, descabele, desiluda, perca fichas, mas corte a sequência de blefes e jogadas. O blefe é um péssimo indicador. Demonstra como a confiança pode ser manipulada e usurpada.
A não ser que o jogo seja mútuo e de comum acordo, sempre haverá prejuízo, perda, decepção.
Não tenha medo de pagar para ver. Tenha medo sim de aceitar como verdade o que é apenas um blefe irresponsável. O jogador não se importa com o valor do que se apropria e destrói. Se para ele é um jogo excitante, jamais enxergará a lista de prejuízos causados.
E sem essa de defender o jogador. Fazemos muito, até demais. Tentamos inutilmente clarear e maquiar as intenções de quem, cedo ou tarde se revela. Boas intenções e jogadas manipuladoras não ocupam o mesmo espaço.
Na dúvida, se preserve. Haverá sempre um jogo justo a se jogar, cujo objetivo não seja derrubar o outro. Desconfiou de um blefe? Pague para ver, encare. Defenda suas fichas!

segunda-feira, abril 3

Não queira saber quem eu sou. Hoje eu sou novidade!

Coisa chata é passar a vida atendendo às necessidades de se contextualizar. Para impressionar, muitas vezes a verdade passa longe e a gente apela para uma multidão de personagens e sonhos ocultos do que gostaria de ser.
Essa compulsão em se apresentar por completo, em se virar do avesso para que o outro conheça, avalie e julgue, em detalhes enfadonhos e desnecessários…
Eu, particularmente cansei de andar com a plaquinha de identificação. Agora me interessa ser novidade! Novidade para quem chega, para quem já achava que conhecia, novidade para mim!
A vida exige uma dinâmica onde não cabem mais formatos duros e embalagens que não sejam flexíveis. Eu até acho que sei quem sou, mas depende do contexto, sempre.
E não dá para apresentar o pacote completo o tempo todo, entubar no outro toda uma construção de experiências, certezas, senões e pensamentos.
Quando a gente conhece alguém, geralmente sente algo próximo de prazer, indiferença ou antipatia, respeitadas as variações de intensidade de cada encontro. É a sensação que abre as portas para uma relação, ou não. Adiante virão as descobertas, não é preciso apressar. Até o que gente tenta seconder, aparece. Não há nenhuma necessidade de fazer uma longa e detalhada exposição, de se contextualizar no mundo e no tempo, de encher o potinho de paciência do outro.
É bom ser novidade, carregar pouca coisa, caprichar no sorriso e na boa conversa como cartão de visita. É bom deixar a bagagem guardada, para ser usada no momento necessário e não viver arrastando e colocando no colo dos outros a todo instante.
As pessoas esperam de nós o que esperamos delas. A leveza de um encontro está diretamente ligada ao que se troca nele. Se entregamos uma carga de informações gigante, cansamos e entediamos quem nos ouve.
De vez em quando é bom experimentar a sensação de novidade!
Hoje eu acordei em branco e pronta para voar como uma folha de papel ao vento!

segunda-feira, março 27

Ninguém acorda apaixonado todos os dias

Para os dias “não”, a alternativa é pedir espaço. Não há cobrança que funcione, nem truque ou maquiagem. Tem aquele dia que nada impressiona e tudo o que a gente não quer é cobrança.
Todo mundo sofre de enjoos passageiros, de gente, de cheiro, de carinho, de carência.
Enjoo que vem e vai, normal. Naquele dia em que nem a voz está soando bem, melhor segurar a onda e esperar passar. Porque passa. Se deixar passar, passa. Se cobrar, desesperar, entrar em pânico, cria-se justificativa para não passar.
Ninguém acorda apaixonado todos os dias. Há o dia seco, aquele dia que começa com um ponto de interrogação e passa inteiro entre reticências. O dia das catarses, das perguntas, das incertezas. O dia que desestabiliza quem compartilha a rotina, mas que também coloca um tijolo a mais na construção de um sentimento maduro. É preciso passar serenamente por esses dias, porque eles sempre virão.
A dúvida é parte de todos. Basta haver uma certeza para aparecer uma dúvida de igual força. Nada é.
Tem gente que esconde bem seus dias não apaixonados. Tem quem demonstre amor em dobro, por culpa, medo ou remorso. Mas tem quem sirva a questão na mesa e queira a participação conjunta. Tem quem logo acredite ser para sempre. E tem quem espere pacientemente o próximo suspiro.
Quem assiste, sofre. Quem acordou apaixonado, se ressente. Mas é preciso respeitar a vez de cada um. Eu costumo dizer que gosto da verdade, mas inúmeras vezes não soube o que fazer com ela.
Quem me dera houvesse esperado um pouco mais para cavucar, interpretar e concluir as verdades que tanto persegui. Por vezes, foram somente os dias “não”. E ninguém acreditaria no tamanho e profundidade da história que consegui criar, depois que arranquei a verdade daquele dia. Perdi as contas das vezes que fui ao purgatório e voltei, magoada e envergonhada.
Conviver é um exercício não repetitivo e inconstante. É preciso praticar, mas as novidades irão aparecer e nos cobrar adaptação. Um dia mais frio pode ser só um, um inverno inteiro, ou uma dica para se buscar lugares mais quentes e confortáveis.
Não há garantias. Só funciona enquanto for bom para as partes. Ninguém acordará apaixonado todos os dias e a regra vale para todo mundo!

domingo, março 26

Quando arrepender-se é a melhor alternativa

Arrependimento não é necessariamente ruim. É uma sensação que não desce bem, mas, ao mesmo tempo, uma prova inegável de aprendizado. Quem se arrepende, pensou melhor, aprendeu, ponderou, viu ou ouviu alguma razão.
A vida está aí para isso. Para irmos para frente, e voltarmos se for melhor. Um passo atrás para evitar queda maior. Arrepender-se é tomar para si a responsabilidade de algo que não bateu tão bem assim, voltar atrás e escolher outro caminho.
E, por mais que a culpa espreite os arrependidos, não há muito espaço para ela quando se trata de mudança de atitude. O direito de mudar de opinião, caminho, certeza, promessa, o que seja, é para qualquer um de nós.
Vamos desapontar e aborrecer muita gente, mas não há justificativa no mundo que nos obrigue a viver desapontados e aborrecidos somente por não poder bancar um arrependimento.
Haverá prejuízos? Sim. Rompimentos? Também. Descrédito? Certamente.
Mas nada será tão libertador quanto o poder de escolher. E na vida, quando escolhemos errado, – e fazemos isso milhares de vezes – precisamos de uma alternativa para voltar aos sonhos e esperanças, mesmo que seja em forma de arrependimento.
Que nunca seja uma desculpa para cometer insanidades. Que não seja instrumento para magoar nem desiludir. Que jamais seja garantia de isenção de responsabilidade.
Mas que seja uma alternativa, sempre que uma decisão tomada esteja fazendo sofrer, amargando a vida, criando feridas.
Pessoa de palavra não é a que jamais volta atrás. Palavra boa é a que sai com verdade, com coragem, respeito e consistência, apesar de todas as consequências.
Vamos lutando para que os arrependimentos seja menores do que as boas escolhas, mas com consciência de que os erros são excelentes e contundentes professores.
Arrepender-se é uma opção. Fica a dica.