quinta-feira, outubro 28

Insônia, um tremendo pesadelo!

Sofreguidão. A definição mais honesta para as horas atormentadas de uma noite insone, agitada, suada, desesperada.

A palavra insônia sempre me remeteu à consciência- mais especificamente à que pesa, como se os insones tivessem a obrigação de pagar com olhos secos e arregalados, suas penitências e dívidas.

Pela manhã, no fundo de enormes olheiras, enxergo a ignorância rindo de mim, apontando o indicador e se jogando para trás com enorme prazer.

Insônia também faz parceria com a solidão. E é possível passar um dia inteiro com os olhos em poças de água para não esquecer, ou ao menos, não menosprezar essa presença ilustre. 

É fácil identificar essa companheira esfomeada, que devora o repouso, que bebe as energias que restam, Difícil é convidá-la a se retirar.
Imsônia come a sensatez, o prumo, a vontade. E palita os dentes com a enfraquecida vontade de acordar com boa disposição.

E chega o amanhecer, levando a noite e as esperanças de um soninho gostoso.
A aparência revela o caos vivido. O humor confirma, o corpo se arrasta.

A maior dúvida nesse momento é: Comprar um aspirador para juntar todos os cacos, ou uma mangueira para lavar tudo e levar para longe?
Guardar os cacos para se reconhecer ou apostar que a próxima noite será de mais sorte?

É necessária uma ajuda, amiga ou não, professional ou não. É imperioso descobrir como deixar o corpo e a consciência repousarem.  


É vital uma noite de sono e um sonho muito bom para o dia e as ideias amanhecerem mais vivos.

segunda-feira, outubro 18

Ponto de Vista



Eu tenho medo de altura.
Não chego nem perto de sacada do quarto andar em diante, não atravesso nenhuma passarela, sofro em escadas rolantes de shopping, choro em elevador panorâmico e não visito mirantes. Mas um dia, um dia bem lá no passado, eu quís ser alpinista. Vai entender. Seria a cura para o meu medo ou a confirmação de maneira mais patética possível? Pendurada, a três metros do chão, chorando copiosamente. A melhor parte, na época, foi desistir.
Ainda ontem, falando com uma amiga sobre medo e preguiça, eu defendia o argumento de que o medo não paralisa, a preguiça sim. Mas esse era o meu ponto de vista ontem. Hoje, para falar sobre o medo de altura, precisei voltar atrás. Quantas passarelas me recusei a atravessar, quantos potes de ouro deixei de encontrar, pois o arco iris também é uma senhora passarela. Aquela vista maravilhosa do mirante, da varanda, da janela! Eu não tenho fotos com essas vistas ao fundo. Tenho algumas das vistas, muito embora através de grades e telas de proteção.
O fato é que esse medo me paralisa e, nisso tudo o que mais preocupa é: se eu acredito que é melhor sempre estar no chão, em terra firme e seca, de preferência, que outras certezas podem estar se alojando sem que eu tenha esperteza para perceber? Se não entro em um elevador panorâmico, como posso deixar as idéias voarem alto e me trazerem novas inspirações e novos pontos de vista? Será preguiça de combater esse monstro das alturas e trazê-lo para que fique com meus 1,62m e então possamos travar um embate justo e conclusivo?
Se só vejo a linha do horizonte por um ângulo, é justo que ela me pareça sempre a mesma linha, embora não seja sequer uma linha. Só para complicar um pouco mais, meu ponto de vista tem incontáveis pontos cegos, além das paralisias que o medo fincou.
Mas, assim como a vida, o que gente vê tem o colorido que já está presente em nós, penso que a melhor e mais prudente atitude a tomar seja a ofensiva, o enfrentamento, engolindo seco e partindo pra briga.
Começo com as escadas rolantes, passo para as varandas e sacadas e quem sabe, atravesso uma daquelas passarelas medonhas. Nas escadas vou pensar em elevar meus pensamentos e dar colorido a todos eles; nas varandas, vou buscar que ainda não pude ver e apreciar; por fim, na passarela, tentarei exorcizar todos os demônios que me seguram com força para que, enfim, eu atravesse livre e feliz, como era quando olhei para uma montanha e sonhei ser alpinista. Esse é o meu ponto de vista, hoje.

domingo, setembro 12

Secura e fartura!


Cá estou eu, aguardando pacientemente o material que um dia virá a ser um delicioso livro, mas nada, não chega. Minha amiga, a autora, já andou sinalizando que não está "fluindo" como esperado. Eu não creio (creio nela, não na vazão ou falta dela). O tempo é pouco mesmo, a mulher - menina - faz sete coisas de uma só vez, ainda escreve, canta, dança, bate palmas e, de vez em quando, senta para tomar um café com as amigas. E fala, héin, como fala.
Aí, um dia ela manda um textinho,a primeira página do livro, mas faz uma observação: Não "saiu" tão redondinho quanto gostaria. Eu amei!
Ela prometeu mais. Mas agora, estou preocupada. Não ansiosa. Nem apressada. Só quero ver esse projeto-sonho-desejo fluir, porque ela sabe que, pode até parecer secura, mas, procurando direitinho, vai encontrar o oásis para refrescar as idéias. Até porque, combinado é combinado e ela sabe do que estou falando.
Como uma formiguinha, daquelas mais trabalhadoras do formigueiro, ela não gosta de parar nem para descansar. Mas agora vai parar na marra, só um pouquinho, vai consertar uma coisinha que deu erro, vai reparar as janelas da alma. E vai ficar de repouso uns dias, mas sem escrever. Então, muito justa é a minha preocupação de receber logo as novas páginas, senão a secura vai ser minha.
Se for preciso, vou esperar, com sede. Mas rezando para os colírios lavarem os olhos e a inspiração, pois o que ela precisa, a menina, é se expandir! Que aproveite essa parada estratégica para recarregar e turbinar a alma inquieta e curiosa.
Eu rezo por sua saúde e agradeço o privilégio deste lugar na primeira fila.
Até na secura, fartura.

terça-feira, agosto 3

Da série: Você sabe...

Você sabe que mora num lugar apertado quando: Pode usar o aspirador em toda a casa e fazer curvas incríveis sem trocar o fio de tomada.
Tô voltando...

sexta-feira, outubro 16

Azulejos que comunicam!



Basta uma canetinha própria e uma filha que saiba desenhar (no meu caso, que não desenho nem uma casinha).
Pode-se fazer hieróglifos modernos, inclusive, por toda a parede de azulejos, contar a história da família, da reforma da casa, das maluquices que passam pela sua cabeça...